Muita gente demora a começar terapia não por falta de vontade, mas por não saber o que vai acontecer lá dentro. O que eu falo na primeira sessão? Vou ter que contar tudo de uma vez? Como sei se está funcionando? E, no caso do atendimento online, será que dá certo pela tela?

Neste texto, explico como organizo um processo de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) online, etapa por etapa. Cada psicólogo tem seu jeito de trabalhar, então o que descrevo aqui é a forma como eu conduzo os atendimentos.

O que é a TCC, em poucas palavras

A Terapia Cognitivo-Comportamental parte de uma ideia simples: a forma como interpretamos as situações influencia o que sentimos e o que fazemos. Quando essas interpretações ficam rígidas ou distorcidas, o sofrimento aumenta e os comportamentos começam a atrapalhar.

O trabalho, então, é identificar essa relação entre pensamentos, emoções e comportamentos e construir formas mais funcionais de lidar com o que causa angústia. Sempre considerando o contexto e a realidade de quem está em atendimento.

A avaliação inicial

As primeiras sessões são dedicadas a entender a sua história. Não apenas o sintoma, mas o cenário em que ele apareceu: o que estava acontecendo na época, o que você já tentou, quais padrões se repetem e há quanto tempo.

Você não precisa chegar com tudo organizado nem saber por onde começar. Parte do meu trabalho é ajudar a dar forma ao que ainda está confuso. Também explico como trabalho, e avaliamos juntos se a proposta faz sentido para você.

A formulação do caso

Dessa escuta inicial sai uma formulação do caso: uma hipótese sobre o que sustenta o sofrimento. Eu apresento essa hipótese e discutimos juntos. Ela não é um rótulo, é um mapa de trabalho, que define onde vamos atuar primeiro e por quê.

Esse mapa pode mudar. Sempre que surgir material novo, revisamos a formulação. Isso dá transparência ao processo: você entende o que estamos fazendo e para onde estamos indo.

As sessões: três movimentos

Depois da avaliação, as sessões se organizam em torno de movimentos que se alternam:

  1. Identificar o que acontece nas situações difíceis. Quais pensamentos aparecem, que emoções vêm junto, o que você faz em seguida.
  2. Alcançar a origem dos padrões. Muitos jeitos de reagir foram formados cedo, antes mesmo de existirem palavras para nomeá-los. Entender essa origem ajuda a explicar por que certas cenas se repetem.
  3. Experimentar novas respostas. A partir dos dois primeiros, testamos formas diferentes de agir e de interpretar, dentro e fora da sessão.

E entre as sessões?

Costumo propor registros ou exercícios entre um encontro e outro. A mudança acontece principalmente no dia a dia, nas situações reais. A sessão é o lugar de entender e planejar; a semana é onde as novas respostas são colocadas em prática.

Como funciona o formato online

Os atendimentos acontecem por videochamada, em sessões semanais de 50 minutos. O ideal é que você esteja em um lugar reservado, onde possa falar com tranquilidade. O sigilo e os princípios éticos são os mesmos da psicoterapia presencial.

Para muitas pessoas, o online facilita a constância: sem deslocamento, fica mais fácil encaixar a sessão na rotina. Você pode ler mais sobre isso nas dúvidas frequentes da página inicial.

Quanto tempo dura e como termina

Não existe um tempo único que sirva para todo mundo. A duração depende das dificuldades, dos objetivos e da evolução de cada pessoa. Ao longo do processo, reservamos momentos para revisar o percurso: o que mudou, o que ainda incomoda, se os objetivos continuam fazendo sentido.

O encerramento também é construído em conjunto. A proposta é que você consiga compreender o próprio progresso e saia do processo com recursos para lidar com o que vier.

Para começar

Se você está pensando em iniciar a terapia, o primeiro passo pode ser só uma conversa. É possível agendar pelo WhatsApp e tirar suas dúvidas antes de decidir. Vamos ver juntos se faz sentido começar agora.

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